
A seguinte pesquisa apareceu na revista Galileu:
Os russos não consideram traição um caso durante uma viagem. Já para os japoneses, pagar por sexo não é trair. Sexo oral não é traição para o ex-presidente dos EUA Bill Clinton. E para você, o que é traição?
Variadas respostas ao assunto em questão foram dadas, a grande maioria condenando esse “ato perverso” como fruto de uma personalidade que carece de qualquer valor moral e implausível de perdão.
Os russos não consideram traição um caso durante uma viagem. Já para os japoneses, pagar por sexo não é trair. Sexo oral não é traição para o ex-presidente dos EUA Bill Clinton. E para você, o que é traição?
Variadas respostas ao assunto em questão foram dadas, a grande maioria condenando esse “ato perverso” como fruto de uma personalidade que carece de qualquer valor moral e implausível de perdão.
Essas opiniões estão certíssimas se o assunto for abordado apenas sob o prisma da sociedade ocidental.
Segundo o dicionário Michaelis, infidelidade é definido como:
“Transgressão da fé matrimonial, ou do dever de fidelidade, comum aos cônjuges”.
Segundo o dicionário Michaelis, infidelidade é definido como:
“Transgressão da fé matrimonial, ou do dever de fidelidade, comum aos cônjuges”.
Ao verificar esta definição fiquei me perguntando como esta mesma palavra é tratada nos dicionários do mundo oriental.
Para entender melhor o porquê da minha reflexão, vamos dar um pequeno passeio por algumas civilizações diferentes da nossa....
Povos indígenas
Para entender melhor o porquê da minha reflexão, vamos dar um pequeno passeio por algumas civilizações diferentes da nossa....
Povos indígenas
O conceito de infidelidade, embora também existente entre os índios, é tratado com muito mais condescendência do que entre nós, o que pressupõe uma compreensão maior das necessidades sexuais humanas. Um exemplo disto é o fato de existirem diferentes tipos de casamentos, que implicam em contratos diferenciados.
O casamento considerado comum entre os Kayapós, por exemplo, ocorre quando ambos os noivos já são iniciados sexualmente. Promove-se uma festa na qual rapazes e moças formam semicírculos de fronte uns para os outros. A pajé (mulher) manda a moça escolher um marido. Ela então indica o rapaz de sua preferência.
Neste tipo de relacionamento não há obrigação de fidelidade conjugal para nenhum dos dois, até que resolvam consolidar o casamento com um filho. É uma espécie de casamento experimental. As mulheres kayapó com o casamento consolidado são respeitadas ou poupadas. Mas, ainda assim, os casais com filhos podem trocar de parceiros se houver uma sólida amizade: o amigo dele será chamado de ikamu (irmão) e a amiga dela será inikiê (irmã). A troca é anunciada publicamente pelos dois para dar uma satisfação à sociedade. Isto demonstra uma maturidade social muito maior do que o nosso adultério às escondidas (que ocorre apenas porque não admitimos a necessidade natural da poligamia). Os ikamu se despedem dos companheiros, indo para a casa do amante. A experiência pode durar meses.
No caso dos Carajás a infidelidade é proibida, mas há uma certa tolerância em relação as escorregadelas. No caso de a infidelidade ser descoberta a mulher pode dar uma desculpa do tipo: "Eu não queria, mas ele insisitiu tanto que não resisiti". Este exemplo, por si só demonstra que os índios reconhecem tacitamente a necessidade também da mulher em ter relacionamento extra-conjugais. Nesse caso o marido tem duas opções: pode comunicar o fato publicamente num discurso e abandonar a infiel ou contar o caso aos parentes dos amantes, cabendo ao irmão ou irmã aplicar uma surra neles. Essa punição simbólica redime o adultério e a sociedade não se sente mais ultrajada.
Fonte: O Amor Entre os Índios. Geográfica Universal, nº 240, Jan/1995. Bloch Editores
Afinal, quem era mais feliz?...O povo indígena e sua comunhão perfeita com a natureza ou os colonizadores, com o seu temor permanente pelas chamas do fogo eterno? Recordando que, nem mesmo o medo do inferno os impediu –mesmo tendo como credo a monogamia- de violentar não apenas uma mas, qualquer índia ou negra que cruzasse pelo seu caminho.
Islamismo
Afinal, quem era mais feliz?...O povo indígena e sua comunhão perfeita com a natureza ou os colonizadores, com o seu temor permanente pelas chamas do fogo eterno? Recordando que, nem mesmo o medo do inferno os impediu –mesmo tendo como credo a monogamia- de violentar não apenas uma mas, qualquer índia ou negra que cruzasse pelo seu caminho.
Islamismo
A Poligamia esteve sempre presente no Mundo, em todas as épocas e nações. É um fato histórico que Gregos, Romanos, Hindús, Babilónios, Persas, Israelitas, Árabes, Africanos, etc., etc., não conheciam limites no número de matrimónios e, portanto, podiam casar com várias mulheres. Não era imposta nenhuma condição ou restrição.
O Islão limitou esta poligamia ilimitada, então em voga no mundo, restrigindo-a com as seguintes severas limitações:
A atitude do marido para com todas as suas quatro esposas (limite máximo) deve ser tal que não dê aso ao ódio, ciúme, insatisfação, descontentamento e frustração a nenhuma delas, resultante da injustiça, crueldade, inclinação e parcialidade por parte do esposo. A completa paz, harmonia e tranquilidade devem prevalecer no lar como resultado de um estatuto inteiramente igual de todas as esposas, em todos os assuntos, ou seja, na alimentação, vestuário, moradia, cuidados médicos, estima, conforto, tratamento geral, afecto, etc. Se o esposo não puder pôr em prática esta igualdade, não lhe é permitido casar-se com mais de uma mulher. A este respeito, o Sagrado Alcorão diz claramente: "E se receais que não podereis tratar com justiça os órfãos casai com as mulheres que vos parecerem boas para vós duas, três ou quatro. E se receais que não podereis proceder com equidade com todas casai, então, com uma somente."(4:3)
O marido deve ter meios económicos suficientes que lhe permitam dar alimentação adequada, roupas, e satisfazer outras necessidades da vida a qualquer esposa.
O Islão limitou esta poligamia ilimitada, então em voga no mundo, restrigindo-a com as seguintes severas limitações:
A atitude do marido para com todas as suas quatro esposas (limite máximo) deve ser tal que não dê aso ao ódio, ciúme, insatisfação, descontentamento e frustração a nenhuma delas, resultante da injustiça, crueldade, inclinação e parcialidade por parte do esposo. A completa paz, harmonia e tranquilidade devem prevalecer no lar como resultado de um estatuto inteiramente igual de todas as esposas, em todos os assuntos, ou seja, na alimentação, vestuário, moradia, cuidados médicos, estima, conforto, tratamento geral, afecto, etc. Se o esposo não puder pôr em prática esta igualdade, não lhe é permitido casar-se com mais de uma mulher. A este respeito, o Sagrado Alcorão diz claramente: "E se receais que não podereis tratar com justiça os órfãos casai com as mulheres que vos parecerem boas para vós duas, três ou quatro. E se receais que não podereis proceder com equidade com todas casai, então, com uma somente."(4:3)
O marido deve ter meios económicos suficientes que lhe permitam dar alimentação adequada, roupas, e satisfazer outras necessidades da vida a qualquer esposa.
Fonte: www.usislam.org/latinos/Portuguese
Agora me pergunto: cabe à sociedade occidental prejulgar e até mesmo condenar um preceito milenar levado a sério por uma cultura que não é melhor nem pior, apenas diferente da nossa e salientando que lá, essa lei é respeitada, enquanto que aquí, a percentagem dos que realmentem respeitam a lei monogâmica é irrisória?
Poliandria
Agora me pergunto: cabe à sociedade occidental prejulgar e até mesmo condenar um preceito milenar levado a sério por uma cultura que não é melhor nem pior, apenas diferente da nossa e salientando que lá, essa lei é respeitada, enquanto que aquí, a percentagem dos que realmentem respeitam a lei monogâmica é irrisória?
Poliandria
A poliandria, forma de matrimônio de uma mulher com vários homens, que era praticada em algumas organizações matriarcais já extintas mas que, ainda acontece em algumas tribos remotas é bem menos conhecida e muito menos aprovada em qualquer tipo de sociedade. Afinal, a história da humanidade e de quem a escreveu é extremamente tendenciosa e a “mulher-deusa” foi sempre ignorada até seu desaparecimento total.
No entanto, vejamos o que acontece no remoto Nepal. Lá a poligamia é proibida, mas ainda sim praticada, principalmente em comunidades tribais. Na verdade, eles praticam a poliandria, já que geralmente quando uma mulher casa, leva o irmão de brinde! A justificativa é econômica, porque as terras são poucas e com apenas uma mulher, eles não precisam repartir os bens da família. Se forem 3 irmãos, o do meio costuma virar monge. Se forem 4, cada dupla se casa com uma esposa.
No Himalaia indiano, onde também é praticada a poliandria a mulher acaba escolhendo seu marido preferido e os outros têm que se esforçar pra conseguir um tratamento especial.
E assim vivem, juntos, felizes e em harmonia...Pelo menos assim o declaram...
Quem ou o que então nos dá o direito de acreditar que a civilização ocidental é melhor por impor aos seus cidadãos uma lei que, na maioria das vezes é ignorada, já seja com descaro ou, na maioria das vezes por debaixo dos panos.
Por outro lado, até em sistemas ditos democráticos, não seria esta lei uma maneira de coagir o ser humano na sua liberdade de escolha?
Os exemplos citados aqui e muitos outros que não mencionei sempre me fazem refletir sobre o que pode ser considerado certo ou errado...O que é afinal a chamada traição ou infidelidade? Quem tem o direito de julgar ou condenar quem? Deixando claro que me refiro apenas à chamada “fidelidade conjugal” e não à fidelidade em outros aspectos.
Por isso, é imprescindível manter a mente sempre aberta e não nos apegarmos de maneira obtusa aos preceitos, conceitos e leis impostos por uma sociedade que nunca foi e nunca será a única nem a mais perfeita neste pequeno e ao mesmo tempo vasto mundo.
No Himalaia indiano, onde também é praticada a poliandria a mulher acaba escolhendo seu marido preferido e os outros têm que se esforçar pra conseguir um tratamento especial.
E assim vivem, juntos, felizes e em harmonia...Pelo menos assim o declaram...
Quem ou o que então nos dá o direito de acreditar que a civilização ocidental é melhor por impor aos seus cidadãos uma lei que, na maioria das vezes é ignorada, já seja com descaro ou, na maioria das vezes por debaixo dos panos.
Por outro lado, até em sistemas ditos democráticos, não seria esta lei uma maneira de coagir o ser humano na sua liberdade de escolha?
Os exemplos citados aqui e muitos outros que não mencionei sempre me fazem refletir sobre o que pode ser considerado certo ou errado...O que é afinal a chamada traição ou infidelidade? Quem tem o direito de julgar ou condenar quem? Deixando claro que me refiro apenas à chamada “fidelidade conjugal” e não à fidelidade em outros aspectos.
Por isso, é imprescindível manter a mente sempre aberta e não nos apegarmos de maneira obtusa aos preceitos, conceitos e leis impostos por uma sociedade que nunca foi e nunca será a única nem a mais perfeita neste pequeno e ao mesmo tempo vasto mundo.


