Até onde a minha fraca memoria alcança sempre gostei de ler...e de escrever....e escrevia.....Coisas singelas como no primeiro diário que ganhei...."Hoje fiz aniversário e ganhei este diário e uma boneca".....
Fui crescendo e comecei a escrever em cadernos clandestinos...em linguagens que só eu entendia e posteriormente em idiomas misturados (para praticar...rs)....Aliás....acho que cismei a vida inteira em aprender novas linguas para que ninguem soubesse o que escrevia.....
Eis a grande ironia...Hoje publico o que escrevo e me pergunto....Será que aquela pessoa de quem eu queria esconder tudo se orgulharia?????
Concedo, apesar de tudo, um mérito a ela.....Graças a ela virei poliglota....rsrsrsrsrsrsrs!!!!!!!
Mas...tem coisas que eu escrevia e outras que copiava dos livros que na época tinha acesso...(imagina se tivesse internet....)
Uma dessas coisas que copiei...sem usar ctrl c....manuscrito mesmo....foi um dos mais belos poemas já escritos....Acho que o nome é...El poema del olvido ...Não tenho certeza....Porém....o que ficou registrado para a posteridade e qualquer um reconhece é:
"Es tan corto el amor y tan largo el olvido...."
Mas...vou colocar aqui traduzido ao português....(Nos meus cadernos está em espanhol)...
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda
Tenho que confessar que, por melhor que seja a tradução, nunca será como ouvila-la ou ler no original....
Eis a vantagem de saber várias linguas......vc entra na alma de quem falou quando entende a lingua com a qual se expressou....
domingo, 9 de agosto de 2009
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